Pessoas com menos dentes têm maior risco de sofrerem dor crônica, de acordo com recentes achados publicados no Journal of Pain¹.
O estudo incluiu 8.662 participantes da Pesquisa Nacional de Exame da Saúde e Nutrição, dos Estados Unidos. Em comparação com os participantes que tinham mais de 20 dentes, naqueles com perda dentária grave (1 a 8 dentes) a probabilidade de dor crônica era duas vezes maior [razão de chances(OR) ajustada = 2,111; intervalo de confiança (IC) de 95% = 1,213 a 3,676]. ¹
Os participantes que haviam perdido todos os dentes apresentaram probabilidade significativamente mais alta de apresentar dor em extremidades inferiores (78,4%) e região glútea (49,5%), comparados àqueles que não tinham perda dentária tão significativa. A associação transversal continuou válida mesmo após “ajustes em relação ao estilo de vida e hábitos alimentares, resposta imunológica e doenças inflamatórias imunomediadas”, de acordo com os pesquisadores. ¹
No modelo multivariado, além da presença de artrite reumatoide (OR ajustada = 4,004;IC de 95% = 2,766 a 5,798), as variáveis associadas a um risco mais alto de dor crônica incluíram o tabagismo (OR ajustada = 1,518; IC de 95% = 1,228 a 1,878) e a hipertensão (OR ajustada = 1,463; IC de 95% = 1,013 a 2,112). Entretanto, os participantes descendentes de mexicanos exibiram menor probabilidade de dor crônica (OR ajustada = 0,603; IC de 95% = 0,414 a 0,880). Os pesquisadores observaram também uma taxa de dor crônica mais alta nas mulheres da população do estudo.¹
“Os achados sugeriram uma associação significativa entre a dor crônica e a perda dentária, independentemente da etnia, de fatores ligados ao estilo de vida e doenças inflamatórias imunomediadas, inclusive a artrite reumatoide”, concluíram os pesquisadores.1 Além disso, sugeriram a condução de estudos prospectivos e longitudinais para determinar se a perda dentária seria um desencadeante ou um resultado da dor crônica, e ressaltaram que “os pacientes com dor crônica tomavam mais anti-inflamatórios não esteroides, refletindo a relevância clínica e o impacto da
dor”. ¹